Crianças e Dor Crônica: quando os pais também compartilham a dor

26/01/2026
Dr. Carlos Marcelo de Barros
A dor crônica em crianças é um dos desafios mais delicados da medicina e um dos mais difíceis para as famílias enfrentarem. Ver um filho sentir dor sem uma causa clara, sem explicação imediata e, muitas vezes, sem alívio rápido, mexe profundamente com qualquer pai ou mãe. A dor da criança ultrapassa o corpo dela e alcança o coração da família inteira.
 
Embora muitas pessoas acreditem que dor crônica é algo exclusivo da vida adulta, ela também pode afetar crianças e adolescentes. Cefaleias, dores musculares persistentes, dores após lesões, dores abdominais recorrentes e condições como fibromialgia juvenil e síndromes dolorosas complexas são mais comuns do que parecem e, frequentemente, ficam subdiagnosticadas.
 
Quando a dor se prolonga por semanas ou meses, ela começa a impactar áreas importantes da vida da criança: o sono, a escola, o brincar, o convívio social e a autoestima. A criança passa a evitar atividades que antes adorava, cansa com facilidade, perde ânimo e pode desenvolver medo de sentir dor novamente. Esse ciclo, silencioso e persistente, abala tanto os pequenos quanto aqueles que cuidam deles.
 
Para os pais, a sensação de impotência é imensa. Surge a preocupação constante, a busca por respostas, a culpa, ainda que injustificada, e o cansaço emocional de tentar proteger o filho de algo invisível. Muitas famílias passam por uma verdadeira peregrinação até encontrar o especialista certo, e isso gera desgaste físico e emocional.
 
Mas existe esperança e caminhos seguros para ajudar. O tratamento da dor na infância é sempre individualizado e envolve uma abordagem abrangente: avaliação médica detalhada, investigação cuidadosa da causa, fisioterapia especializada, acompanhamento psicológico e estratégias para aliviar o desconforto. Quando corpo e mente são tratados juntos, a criança recupera confiança, movimento e vitalidade.
É essencial lembrar: criança não inventa dor. Mesmo quando não aparece em exames, ela é real e merece atenção. Quanto mais cedo o diagnóstico e o cuidado, maiores são as chances de recuperar qualidade de vida.
 
Para os pais, aceitar ajuda também é parte do processo. Quando a família está fortalecida, a criança se sente segura para lidar com suas limitações e avanços. Por isso, acolher, escutar, validar e acompanhar são gestos tão importantes quanto qualquer tratamento médico.
 
A dor crônica na infância exige coragem da criança e de toda a família. Mas com apoio especializado, informação e cuidado integral, é possível devolver à infância aquilo que ela tem de mais bonito: o direito de crescer, brincar e viver sem dor.
 
 Dr. Carlos Marcelo de Barros - CRM/MG 39.448
Anestesiologia RQE 16.085 / Área de atuação em Dor RQE 42.108 / Medicina Paliativa RQE 47.014
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